domingo, 15 de abril de 2012

Mélodie et le cœur

Sempre tenho a sensação de que vai chegar o final de semana e vamos nos encontrar, tocar, nos divertir e depois sair para comer alguma coisa ou ir para a balada. Sempre tenho o estranho sentimento de que irei vê-la em quase todas as minhas saídas. Sempre. Sempre. Mas não. Não é sempre que eu a vejo nos lugares, nos shows, nos estúdios, nos restaurantes, bares e afins. Mas sempre penso que ela poderia estar lá. Por quê? Porque no meio de tantas pessoas ela se destacou de uma maneira ímpar na minha vida. Não só pelos amores em comum, como a música, mas também por outras mil coisas que passaria o dia inteiro citando aqui. De fato nossa amizade cresceu muito mais depois que ela partiu para outra cidade. E juro que ainda não acredito que isso aconteceu logo comigo que sempre me julguei saber dar valor ao que tenho do meu lado. Porém sei que não fui falha em nossa amizade em solos cearenses, o que acontece é que eu me cobro demais e sempre penso que poderia ter feito melhor, afinal sei bem o quão ruim é não estar mais do lado de quem se quer perto. Acredito que nossa amizade se intensificou após a sua partida pois ela passou a ter noções parecidas com as minhas. Me refiro a distancia, a saudade, o vazio, a raiva, o amor e todos os outros mil sentimentos confusos que sentimos quando partimos de algum lugar. Logo a afinidade bateu mais forte, não éramos mais amigas devido a uma simples paixão artística, mas sim por uma aprendizagem da vida. Fico com o coração apertado quando ela me diz que sente-se cansada e desmotivada em retornar a sua cidade natal e eu a entendo, afinal tudo que depende de terceiros, se não tiver uma constante sintonia positiva, aos poucos se enfraquece. Queria que todos que nós amamos tivessem a consciência de que a vida é como uma vela e que num simples piscar de olhos você corre o risco de perdê-la. Sim, falo sobre a morte, pois é a única coisa que consigo assemelhar com o sentimento de perda, seja essa perda pela distancia ou pela vida, a sensação é a pior possível. Queria colocar essa sensação em potes e sair distribuindo por aí, não por maldade, mas por uma tentativa desesperada de gritar pro mundo "Ei, acorda! Eu to aqui, mas amanhã posso não estar mais". Valorização, essa é a palavra de ordem do meu mundo, do dela e de várias outras pessoas que possuem essa noção. Porém não basta apenas ter a noção da valorização, tem que por em prática. De nada vale uma ideia se você não a coloca para funcionar. E as vezes estamos expostos a errar nessa pratica, coisa de gente humana. Mas se nos mantermos firmes, teremos êxito. Enfim, hoje é um dia mais do que especial e eu não estou do lado dela para abraçá-la forte, mas me conforto com a ideia de que ela é diariamente abraçada pelos meus pensamentos positivos. Parabéns irmã, te amo ontem, hoje e sempre.

sábado, 31 de março de 2012

Ironie

Há alguns anos atrás morei em uma cidade abençoada pelo divino e o próprio me abençoou com a amizade de uma pessoa que até hoje se faz presente na minha vida, não fisicamente, infelizmente. A minha galera era pequena (ou não, dependendo da referencia), porém o suficiente para sermos felizes naquelas noites despretensiosas que a cidade maravilhosa nos oferecia. Nessa cidade alguém se fez presente em todos os meus finais de semana, estando sempre do meu lado não importando onde fosse. Nosso glamour decadente era moda! Bebidas baratas e geladas sempre a mão, estávamos sempre lá, firmes e fortes. Rindo das besteiras do mundo, conversando sobre o futuro, cantarolando canções antigas, porque afinal sempre tinha alguém com um violão e poucos acordes a vender. Lembro de tantas noites, tantas alegrias, tantos abraços intermináveis, tantos sorrisos expressados... foi uma das melhores épocas da minha vida. Eramos novas e apenas queríamos nos divertir. Cyndi Lauper nunca foi tão querida entre nós como era. Era festa a cada encontro combinado ou não. No Rio, ahh o Rio. O Rio embalou toda a nossa amizade e de brinde nos dava paisagens inesquecíveis. O Rio nos deu noites lindas e sonos dignos de princesas. Eramos as melhores, eu, ela e toda a nossa galera. Sinto uma nostalgia diária dessa época. Por mais que morássemos perto de morros e favelas, a maldade morava do outro lado cidade. Só existia o bom, só existia o bem. Sem falsidades e sem falsos moralismos. O grafite feito na Avenida Brasil sentido centro se fazia presente sempre. "Gentileza gera gentileza". Eles, que estão há 2.605 km de mim, saberão do que estou falando. Mas ela - e alguns poucos outros - em breve estará há menos de 10 cm de mim e eu estive aguardando por este momento há 5 fucking anos. E esse encontro não poderia ter vindo em outra hora, tinha que ser agora e tinha que ser em... São Paulo. Porque Afinal, o que seria da vida sem as melhores ironias que ela nos dá?

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Valeur

Gostaria de deixar uma mensagem que é a mensagem que eu aprendi na minha vida. Eu desde nova me mudei bastante, foram cinco cidades, dez colégios e muuuitos -muitos- amigos. Muitas pessoas queridas com quem eu convivi um certo pedacinho da minha vida e que hoje elas me fazem muita -muita- falta. E foi na falta que eu aprendi a valorizar as pessoas que estão pertinho da gente, pois ainda criança senti na pele o quão ruim é ficar longe de quem a gente quer todo dia do seu lado. Sei que há pessoas que valem a pena, acredito muito nisso. Mas em certos momentos penso... que diabos algumas pessoas tem na cabeça? Uma hora fala mal de ti e depois te abraça? Eu não aprendi isso na escola e nem na minha casa. E não serei hipócrita em dizer que sou santa, mas tem coisas que eu vejo que simplesmente não consigo acreditar de tão absurdas. Muitas pessoas já me disseram que o problema é que eu me importo muito com essas coisas e que por hora sou um pouco idiota por isso. Não to aqui pra dar lição de moral em alguém, ninguém é bom o suficiente para criticar algo. O meu pedido é mais simples, valorizem quem está do seu lado, mas de olho bem aberto... pois ninguém sabe o dia de amanhã. O teu inimigo pode te dar as mãos amanhã... E o teu "amigo" pode te dar as costas no outro dia.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Tempête

Certa coisa tem me deixado inquieta ultimamente e não foi a mudança climática dessa cidade de ventos frescos. Tento entender e nessa procura que mais parece ser um labirinto sem saídas, encontro desculpas e mais desculpas sobre as coisas. Essas desculpas sempre nos agarram e aparentam nos dar um certo aconchego, sensação de segurança, colo de mãe. "Ah, foi por isso". "Ah, foi por aquilo" e tudo fica bem. Ou pelo menos tudo fica menos agoniante de entender. O problema é que nem sempre essas explicações que confortam são confiáveis. Nem sempre o bolo mais bonito é o mais delicioso. É como uma pessoa que você acaba de conhecer, no inicio ela é a melhor pessoa do mundo, mas depois vemos os defeitos que nós humanos tentamos esconder do mundo. É como um filme que tem um bom trailer... e que de bom só tem o trailer mesmo. Entretanto, o salto da desculpa para a realidade não é grande e nem surpreendente. Cá entre nós, a gente sempre sabe quando estamos pisando na merda, mas por algum motivo fechamos os olhos e colocamos uma espécie de filtro em nossas retinas e pronto, está tudo lindo. Mas assim como uma lente de contato descartável, com o passar dos dias e da poeira que as vezes caí em seus olhos, as imagens perdem sua qualidade e você é forçado a ter que jogá-las no lixo. É nessa hora que a gente vê que aquela desculpa já não nos serve mais. Aquele primeiro pensamento vem então a tona. Aquele pobre pensamento que passou por dois segundos em sua mente e você o ignorou, pois era tão desagradável que você preferiu fingir que ele não existia e resolveu inventar uma desculpa acolhedora. Acolhedora e traiçoeira. Eis então que a verdade é vista e ela... incomoda profundamente. Tem uma nuvem negra pairando em cima da minha cabeça e rezo todos os dias para que ela vá embora para longe. É preciso coragem, coragem para reconhecer que certas alegrias já não respiram mais como outrora. É preciso sinceridade para dizer isso para si mesmo. É preciso lágrimas para entender que isso não vale mais tanto a pena. E pena... é a ultima coisa que precisamos ter de si mesmos.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Oiseaux noire


Ela queria um livro, ele queria um cd. Juntos entraram em uma loja que acabara de abrir na rua principal da cidade. Estava cedo, o sol ainda pouco se mostrava. Na loja tinha algumas pessoas tomando café da manhã, mas eles não estavam com fome, a misteriosa e incessante fome ainda não tinha feito efeito. Cada um vai pro seu lado, movidos pelos seus interesses mais egoístas. Poucos minutos depois se reencontram em um corredor estreito, rodeados por livros de todos os tipo e mal organizados ainda. Ela diz que não encontrou nada que a agradasse, já ele estava com um livro em sua mão, mas o livro era muito caro e eles só tinham trinta e cinco reais e alguns poucos centavos. De repente ela avista o livro que ela procurava há alguns meses, mas para o seu azar ele valia o dobro do que eles tinham no bolso. Olham-se frustrados durante alguns segundos e cada um devolve o produto para a prateleira. Entre um silencio desconcertante e as poucas vozes que conversam no lugar, ouvem se clássicos acordes e logo Blackbird invade não só o lugar, mas também todas as mentes sujas - ou não - do lugar. Ela caminha em direção a saída, enquanto ele corre para não ficar para trás. Sutilmente ele pega na mão dela e pede para que ela o espere. Ela sorri e balança o seu cabelo negro. Juntos saem da loja e veem que o sol não estava mais tão tímido. Ela abre a bolsa e pega o seu óculos escuro imediatamente, pois a fotofobia é sua inimiga numero um. Começam a andar sem saber muito bem para onde, afinal, depois de uma noite regada a muito álcool e de muitas estrelas no céu... destino nenhum é o destino de todos. O cansaço começa a bater e ela, inquieta como sempre, suplica pela sua cama ou por algum lugar para sentar. No caminho ele pede para que ela espere, pois precisa comprar algumas coisas. Após alguns minutos ele sai da loja de conveniência segurando dois sacos com seis cervejas e um masso de cigarros. Lembram que não estão muito longe de um lugar que é bastante frequentado nas noites de terça-feira. Tratava-se de um casarão abandonado, onde rolava alguns shows de bandas despretensiosas. Abrem duas cervejas e saem em direção ao casarão. Dez minutos depois eles se dã conta de que não estavam tão perto assim do casarão e de que só restava mais uma cerveja para cada um. Com um sorriso cínico no rosto e pisando em buracos inexistentes eles chegam ao casarão. Ela se senta e ambos acendem sues respectivos cigarros. Eles se olham por alguns segundos e aquele silencio desconcertante reaparece. Os minutos passam e nenhum frase é concluída. Nenhuma palavra é dita até que depois de três cigarros ele diz que precisa ir embora. Ela concorda e se levanta. "Merda, acho que esqueci meu isqueiro lá dentro", ela diz. Eles voltam para onde estavam e ele vê que o isqueiro não estava ali. "Eu sei, o enfiei no seu bolso sem você perceber", diz ela rindo e sai em direção a porta. Ele fica parado poucos segundos sem entender muito bem. Corre até ela e pede explicação. Ela sorri, balança o seu cabelo negro e vai embora... sem nem ao menos dizer o seu nome.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Lui, seulement lui.


Ele, somente ele. Queria que a minha cama tivesse o cheirinho dele, só pra poder dormir todos os dias com ele pertinho de mim. Ao pensar nele, os meus pulmões enchem-se de amor e o coração faz questão de bombear esse sentimento para o resto do corpo inteiro. A sensibilidade nos faz sentir isso, sentir que tem amor circulando no nosso corpo. Corpo que toca o outro corpo e como mágica ambos sentem algo que a ciência ainda tenta compreender. Ele, somente ele. Somente ele me faz sorrir diariamente, até porque.. o meu sorriso é todo dele. Não só o meu sorriso, mas também todos os meus sonhos. Todos os meus pensamentos mais estranhos e mais românticos. Ele transforma os meus sonhos em realidade, mas estranhamente sinto-me dentro de um sonho o tempo todo. Ele é a minha luz, minha única luz. Ele me faz feliz quando o céu está nublado. E talvez ele nunca saberá o quanto eu o amo... assim como Johnny Cash canta em You Are My Sunshine. Adoro quando ele me enche de beijos e abraços ao me acordar, o dia já começa lindo, o dia já começa com ele, o dia já começa com amor. Ele, somente amor. Um amor que me cerca e me rodeia dia e noite. Um amor tão bonito que as vezes custo a acreditar. Um amor gentil e simples, um amor que apaixona. Paixão, somente amor. Esse amor segura firme em minha mão, me fazendo perder todo o medo do errado. Me dando forças para continuar e acreditar nas coisas que por outrora foram bem difíceis até de imaginar. Estou aprendendo a andar de novo e realmente acredito que esperei tempo suficiente, mais até que o proprio Dave Grohl em Walk. A felicidade que me invade é tão grande que jamais conseguiria medir. É imensurável assim como o meu amor. Amor que pertence ao coração e a mente dele. Meu coração, somente dele.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Une paire

Faz um tempo que deixei de ser um, virei dois. E aconteceu assim, dormi um, acordei dois. Ou melhor, um par. Foi rápido, mas tive tempo de colocar as ideias no lugar, de entender o que estava acontecendo, porque afinal, não é tão simples virar dois e continuar tendo a mesma vida que antes. É interessante sentir o pensamento mudar, antes o que se pensava no singular, agora é pensado no plural. Dois. Um par. Nós. Eu e ele. Ele me pegou de surpresa, mas no momento em que eu mais estava precisando. Transformando tudo, desde pensamentos a sentimentos internos que pulsão inexplicavelmente. Antes, passei um tempo curtindo ser singular, mas confesso que ser plural é bem mais gostoso. Os sorrisos vem em dobro, os abraços vem mais braços, braços físicos e do coração.  Os sonhos são sempre com dois lugares, não importando o meio que iremos precisar. Desde o inicio nos deparamos com perguntas inexplicáveis, pois tudo aconteceu com muita simplicidade, mas com muita intensidade... ou seja, dois adjetivos que normalmente não andam muito juntos. Vejo que nós humanos ainda somos intelectualmente limitados, pois sempre nos deparamos com coisas e situações que não conseguimos explicar ou encontrar respostas. E a graça está justamente nisso, em não entender, em apenas sentir. Engana-se quem acredita que Freud a tudo explica, ele criou teorias sobre muitas coisas, mas nos finais de tarde ele sempre estava sentado em frente a sua casa, fumando seu charuto ao lado de sua amada, pois sabia que era importante refletir sobre o mundo, mas sabia que o mais importante era aproveitar esse mundo que não entendemos, simplesmente por ser prazeroso o gosto do inexplicável. Do mesmo modo que é prazeroso sentar ao lado de alguém e sentir algo que não se consegue explicar. Do mesmo modo que se consegue ser feliz sendo singular, mas que sendo plural você atinge outro tipo de felicidade. Do mesmo modo como ainda não intendi quase nada disso tudo que escrevi, mas que tenho certeza que se comecei a escrever é porque tenho sentido algo aqui dentro que ainda não consegui explicar. No mais... não tenho mais nada a dizer. Agora, só me resta sentir o prazer inexplicável de ser dois.