segunda-feira, 18 de julho de 2016

Olhos de umbigo

Como entender um mundo onde todos só tem olhos para seus próprios umbigos, mas não enxergam seus próprios defeitos? Tenho, cada vez mais, me questionado sobre isso. Estamos sempre olhando para si, estamos sempre preocupados com os nossos interesses. Mas e quando nós falhamos? Refletir sobre os erros não é algo simples, porém deve ser construído em exercícios diários que nos exigem autoconhecimento e, principalmente, humildade. Não é feio dizer que errou, que se enganou, que se decepcionou ou que decepcionou pessoas. Acontece. Somos vivos em latência de vontades e nem sempre agradamos a todos. Escolhemos viver em sociedade e, por isso, precisamos saber como gozar das nossas intenções sem prejudicar terceiros. O exercício não é olhar e sim limpar o próprio umbigo. E sempre dá para limpar até mesmo a sujeita mais escondida, aquela que as vezes quase ninguém vê. Aquela que passa anos camuflada nas entranhas do nosso ser, mas que, cedo ou tarde, aparecem e causam constrangimento. Tudo sempre vai depender de como cuidamos dos nossos umbigos, de como limpamos as sujeiras nas dobras escondidas. E ter um limpo, só depende de seus donos. Por isso, o importante não é olharmos para nossos próprios umbigos, e sim, observar como os outros cuidam dos seus respectivos.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Sinto muito.




Como de costume, acordo todos os dias bem cedo. E quando digo cedo, é bem cedo mesmo. Estudar e trabalhar longe de onde moro tem suas vantagens, como passar cerca de 2 horas, ida e volta, dentro de um ônibus lendo um livro, ouvindo música ou simplesmente pensando na vida, observando as pessoas. Engraçado que quando vou de carro, o que seria algo bom pois ganho 1 hora a mais no meu dia, dirigir me impede de fazer uma leitura, acabo ouvindo menos músicas e faço menos reflexões sobre a vida. No modo automático, tenho que estar focada no trânsito, no cara que me fechou na curva, no ciclista a minha direita, na mulher que entrou na minha frente sem sinalizar sua mudança de faixa. É ganhar a vantagem do conforto e perder a vantagem de sentir o mundo e suas coisas. Não que sozinha, no carro, ouvindo William Ftizsimmons eu não consiga sentir, mas quando estamos só ali, sentados no banco desconfortável do ônibus, onde geralmente não conhecemos ninguém e estamos com a expressão facial mais neutra possível, ali nós somos apenas nós. É um estado emocional que dificilmente conseguimos atingir em outros lugares. As vezes sinto que um banco de ônibus me entende mais do que muita gente, simplesmente porque há coisas que não consigo expressar nem para mim mesma. Tipo o que venho sentindo há um tempo. Eu não sei explicar o que é. E isso me deixa muito frustrada. Não consigo definir se é algo ruim ou se é simplesmente uma invenção da minha mente inquieta. Mas eu sinto. Sinto que há algo que de vez em quanto retorna à minha mente só para dizer que está ali. Não importa se está tudo bem, se está tudo caminhando perfeitamente de acordo com o esperado, essa "coisa" aparece do nada e me deixa intrigada. As vezes me deixa até mau humorada, sem vontade de fazer nada. Nesses momentos eu fico bastante preocupada, pensando no que seja essa coisa sem sentido que mexe tanto com a minha mente. Na maioria das vezes eu tento ignorar, pois se não acho explicação, não deve ser nada demais. Não sei. mas eu sinto. Esse lance de sentir essa "coisa" me fez questionar até se eu realmente sinto isso. Parece confuso, né? Imagine para mim. Perguntei a mim mesma se eu sentia as coisas do mundo como todo mundo sente. Em um determinado momento acreditei friamente que não, que todas as outras pessoas sentem um mundo que eu não compreendo. Depois tive a conclusão, eu sinto sim, mas sinto é demasiadamente esse mundo que temos. Sinto muito tudo. Relações, família, amizades, conquistas e decepções, ansiedades. Sinto muito o viver que, para mim, começa no despertar das 5:30 do meu celular e só acaba quando encosto a cabeça em um bom travesseiro. Eu sinto muito tudo e eu não deveria ser assim, porque isso as vezes dói. Mas também me faz sorrir por tudo e principalmente pelas besteiras mais idiotas do mundo. É confuso e estranhamente resolvi falar sobre "essa coisa estranha que me acontece de vez enquanto" em um momento em que não estou sentido ela, talvez porque quando a sinto, é impossível sair uma palavra sequer para começar esse texto. De qualquer forma, desculpe pelo texto melancólico, geralmente escolho temas mais motivadores. Mas caso você não se importe com nada disso, sinto muito.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Por mais dias assim



O bom de ouvir música nesse tempo friozinho é que parece que os nossos sentidos ficam mais sensíveis, pelo menos é assim que acontece comigo. Dias de chuva são os dias que procuro aquela playlist mais calma, coloco os fones de ouvido no trabalho e deixo que as músicas me levem junto com elas. Gosto dessa leveza, gosto dessa sensação de que a vida é única e tudo depende exclusivamente de nós. Dias de chuva fazem isso comigo, me deixam mais introspectiva, pensando na vida, refletindo sobre o hoje, preocupada com o amanhã. Dias de chuva me fazem abrir o moleskine e procurar a lista de defeitos que escrevi no começo do ano com a intenção de mudá-las. Nesses dias de chuva me arrepio ouvindo Annie Williams, mas não consigo perceber se o arrepio é pela música ou pelo frio. Queria que houvesse mais dias assim, pois sinto que esse lance de ficar mais quieta e pensativa em épocas frescas é algo universal. Esse é o momento em que todos se reconhecem como seres iguais, como seres humanos que, apesar das desigualdades, todos se esquentam através do próprio sangue quente que percorrem nossas veias. Por mais dias assim. Por mais dias em que flexionamos os nossos pés em direção ao "nada", para podermos organizar o "tudo". Nos dias quentes, além do suor, muda também a playlist que amacia os ouvidos. Muitas vezes escolhemos algo mais alegre e envolvente. O calor faz isso com a gente, nos deixa ardentes. Quem nunca foi a praia e colocou um Bob Marley para embalar o visual de ondas? O lugar onde moro atualmente é ensolarado em sua maior parte do ano, tendo pouquíssimos dias de chuva... e nessa dia de chuva percebo que não me custa nada tentar, em um dia de muito sol, colocar uma música mais calma, abrir o moleskine em uma página em branco e listar todas razões que me fazem feliz e todos os defeitos que me atrasam como pessoa. Refletir sobre o agora é importante, mas se ontem tivéssemos pensado sobre o hoje, ninguém teria saído de casa sem um guarda-chuva.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Só tempo




Amizade é tentar dizer,
tentar mostrar,
tentar ensinar.
Mas não é você que vai colocar um band-aid na vida até ela sarar.

Amizade é tentar aconselhar,
tentar ajudar,
tentar acolher.
Mas não é você que vai consolar por inteiro o que há de arder.

Não você.
Por mais que tente,
por mais das melhores boas intenções e bons corações,
não é você que vai confortar o pesar alheio.

Só tempo.
Só tempo pra curar,
para acalmar,
para respirar,
para colocar ordem na bagunça do lugar.

Só tempo.  

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Pela arte de teimar.




A gente tenta. 
A gente tenta o que a gente pode. 
A gente tenta o que dá pra tentar. 
Tem coisa que foge do nosso tentar.
Muitas coisas fogem dos nossos "tentar".
Se dependesse da gente tudo seria mais simples. 
Dependesse da gente tudo seria sexta-feira de sol e mar. 
Mas a gente tenta. 
A gente vai morrer tentando até enjoar. 
E depois de enjoar vamos tentar outra coisa, 
só pela arte de tentar. 
Pela arte de teimar. 
Ô criatura teimosa é ser humano. 
Tenta, tenta até conseguir.
E quando consegue é alegria de orelha a orelha. 
É sorriso que transborda dentro de si. 
E quando não consegue? 
É melhor deixar pra lá.
Deixa lá na estante da vizinha, deixa lá pra ela cuidar. 
Então cuida de correr que a vida continua. 
Cuida que a vida não pode parar. 

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Vontade cheia de vontades


Vou repensar mais uma vez. Avaliar novamente junto com o nascer do sol e sei que isso irá se repetir infinitas vezes. Não é tão simples, nem muito menos tão fácil. Se fosse, todos sairiam dos berços, das camas, das celas e das andanças com ideias certamente prontas ao sucesso. Mas não é. Todo dia é a rotina. Todo dia é provar mais uma vez que aquele pensamento, caminho ou direção é o certo. Falo sobre escolhas, sobre desejos movidos por um querer maior nosso que se chama "vontades". Ora sim, ora não, hoje quero, amanhã dispenso... e assim segue o loop infinito. Vontade é um eterno varal de roupas limpas que quando usadas perdem um pouco da sua cor, da sua textura macia e daquele cheirinho de aconchego. Algumas, depois de usadas, ficam tão desgastas que não valem nem a pena colocar na máquina para lavar. Melhor deixar para lá, doar para alguém que cuide melhor. Mas também tem aquelas que o processo vale a pena, são as vezes que a vontade ainda tá cheia. Vontade cheia de vontades, vontade cheia de si mesma. Gosto disso. Gosto de ser movida pelo o que me enche de prazer. Afinal, quem é que não gosta? Ruim é quando a química que nos impulsiona não bate com a física das coisas. É como mergulhar num mar cristalino e não pode nadar. É sem graça e a graça das coisas está no friozinho na barriga do querer "dar certo". E a gente se acostumou em sempre dar um jeitinho para as coisas darem certo. Pensa, repensa, volta atrás, muda de ideia... Até as coisas começarem a se encaixar. E não adianta se desesperar. As vontades e os desejos devem andar lado a lado com a paciência, se não a gente endoida, vira a noite dando voltas na mente sem sair do mesmo lugar. Paciência, apenas paciência. Ah, e confiança também. Tudo vai se encaixar. Tudo vai dar certo. Vai dá certo. Certinho?

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Leveza


Por algum motivo que não sei qual, sinto que de um tempo cá as coisas estão mais leves. Sempre falam que quanto mais velho ficamos, mais rabugentos nos tornamos e nisso terei que discordar. Eu, que sempre fui meio rabugenta, reclamona, abusada e crítica de tudo, percebo que  a cada ano que passa, a cada mais uma nova vela assoprada, tenho me tornado uma pessoa mais leve e tranquila. Talvez a minha estupidez viesse da minha falta de bom senso, de achar que o mundo conspirava contra mim e que por isso eu deveria ser uma pessoa amarga. Amarga no sentido de achar tudo sem graça, achar todo mundo esquisito, achar que positivismo era uma besteira que as pessoas inventavam para se auto enganar. Tive uma infância e adolescência um pouco difícil, me mudei trocentas vezes de trocentos lugares e a minha ultima mudança de cidade não foi fácil de entender. Demorei dias, meses, anos para entender tudo o que aconteceu. Me fiz refém disso em muitas situações. Usei isso como desculpas para os meus erros, mas mal sabia eu que há os erros que não possuem desculpas nenhuma para serem cometidos, eles apenas acontecem como a vida acontece. Depois de muito tempo eu aceitei a mudança e todas as mudanças que vieram junto com ela. E então as coisas começaram a fluir. O famoso clichê do "Fique bem consigo mesmo primeiro, para depois ficar bem com o mundo" e para mim o todo entendimento disso veio com o passar dos anos. Lembro quando tinha 21 anos, já me via um pouco mais positiva, mas ainda sentia um pouco de amargura dentro de mim. Mas aos 23 foi quando eu de fato mudei. Me livrei de tudo o que me incomodava e me estagnava, saí de relacionamentos que me despedaçavam, mas saí com mais pedaços do que de quando entrei neles. Isso tudo mudou todo o resto de tudo. Não foi alguém que me mudou, eu que aprendi com as minhas próprias escolhas, com os meus muitos erros e os meus poucos acertos. Penso que isso tudo me engrandece, quando olho para atrás e vejo o quão perdida eu era e o quanto sábia tenho me tornado. E com a certeza de que ainda tenho muita coisa a aprender. A vida é assim, cada um encara da maneira que se sente confortável. Talvez antes eu encontrava conforto no arder das feridas, hoje o meu conforto está na pele macia das cicatrizes curadas. O importante é que hoje, com quase 25 anos, me vejo como eu me imaginava quando era criança: uma mulher forte que acredita em seus sonhos, procurando voar com os pés no chão e tendo a certeza de que nada - N A D A - irá tirar a sua fé de que sempre há dias melhores para se viver. Isso é ser leve, isso é ter leveza, a leveza de ser - simplesmente - humana.