quarta-feira, 10 de maio de 2017

Simplifique-se

Seguindo a rotina do dia, segui para a parada de ônibus para ir trabalhar. Seis minutos depois de subir na condução, percebi que o coletivo seguia um caminho diferente do comum. Olhei ao redor e me vi ali com mais quatro desconhecidas e questionei sozinha em silêncio "Será que elas estão no seu caminho correto?" e comecei a refletir sobre isso. É certo que cada pessoa, no seu universo, tem o seu tempo e modo de encarar as coisas. Nem sempre uma situação que é fácil para uns, significa ser tranquilo para outras. Mas isso é meio óbvio já. Um caminho, decisão ou atitude, é escolhida com rapidez por aqueles mais decididos e, para aqueles mais confusos, o caminho pode, ser, mais, lento. Geralmente o caminho que pego diariamente é cheio de curvas e muitas avenidas. Hoje o caminho foi seguido de uma reta só e, no máximo, quatro curvas. Por ser virginiana, raramente fico em dúvida sobre algo. Talvez o signo não tenha nada haver com isso. Mas é fato, tomo decisões rápidas, analisando prós e contras de maneira tão objetiva como somar um mais um. Isso não quer dizer que sempre escolho os melhores caminhos, até porque sou péssima em exatas. Mas, na maioria das vezes consigo me sair bem. Eu acho. Hoje deu certo, por exemplo. Tem pessoas que o caminho para decisões é mais extenso. Longo e lento. Pensa, repensa, decide. Não, pera. Pensa, repensa, muda de ideia. Pensa um pouco mais, volta atrás. O que é normal, não significa ser defeito. Mas se existe meios que nos ajuda a resolver situações de forma mais ágil, porque não tentar? Sou o tipo de pessoa que sempre procura simplificar as coisas. Tenho, há algum tempo, exercitado minha mente a isso, a procurar sempre os caminhos mais simples. Comecei dividindo tudo em dois grupos: coisas que dependem de mim e as coisas que não dependem. É fácil? Nenhum pouco. A simplicidade não significa ser fácil, é apenas mais direta e isso as vezes pode até doer um pouquinho de tão sem saídas que é. Simplificar. Procurar encarar tudo com mais leveza, com o olho calmo e a consciência ativa. Consciência ativa? Sim, pois muitas são as vezes em que nós agimos apenas por impulsos da mente. E o desafio é esse, tentar domar esse órgão que nos rege a cada instante. Ninguém é perfeito, mas vale a tentativa de otimizar nossa rotina e a de quem está do nosso lado que é afetado por ela também. Pois bem, continuei no ônibus, vi que ele seguia um caminho que poderia também me levar ao destino final de interesse. E para minha sorte, esse erro fez com que eu chegasse mais rápido no trabalho. Valeu a pena não ter descido assim que me toquei estar no coletivo errado. Seria o que eu faria por impulso. Valeu a pena continuar sentada na cadeira da janela, ouvindo as faixas finais de uma playlist qualquer do Spotify e pensando o quão sem saco eu estava para descer e esperar o 076 passar. Simplificar o que parece ser complicado, apenas mantendo o olho calmo.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Tempo de sentir o tempo

É tudo muito rápido. O despertar do alarme nos acorda a mente e nos faz sair da inercia.  Levantamos cedo, acordamos minutos, as vezes horas depois. Pausa para o café? Nem sempre tem. Corremos para a parada de ônibus, andamos para o carro. Descemos elevador, subimos escadas, descemos calçadas. O inconsciente nos comunica "Motorista, favor seguir para o mesmo destino". E seguimos, sozinhos, acompanhados, com estranhos sentados ao nosso lado, dividindo ventos que abraçam janelas e entrelaçam nossos cabelos. Sem perceber, nos ligamos no modo automático, movido por doces e amargas doses de café. E assim seguimos em frente. A vida tem passando lentamente diante da gente, mas estamos tão ligados no 220V que a impressão que dá é que ela tem passado mais rápido. A vida passa rápido demais para quem não tem tempo de admirá-la. É hora de desacelerar o compasso. É hora de parar e aguar as plantas na varanda do lar. É hora de fumar aquele cigarro sem pressa de lavar as mãos logo em seguida. É tempo de sentir o tempo. Sentir o calor, a chuva, sentir o aroma da vida, mesmo que seja em mãos sujas de café ou do batom que você borrou sem querer na taça de vinho. Deixa borrar. Tudo no seu tempo. Tudo no teu sentir do tempo.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Olhos de umbigo

Como entender um mundo onde todos só tem olhos para seus próprios umbigos, mas não enxergam seus próprios defeitos? Tenho, cada vez mais, me questionado sobre isso. Estamos sempre olhando para si, estamos sempre preocupados com os nossos interesses. Mas e quando nós falhamos? Refletir sobre os erros não é algo simples, porém deve ser construído em exercícios diários que nos exigem autoconhecimento e, principalmente, humildade. Não é feio dizer que errou, que se enganou, que se decepcionou ou que decepcionou pessoas. Acontece. Somos vivos em latência de vontades e nem sempre agradamos a todos. Escolhemos viver em sociedade e, por isso, precisamos saber como gozar das nossas intenções sem prejudicar terceiros. O exercício não é olhar e sim limpar o próprio umbigo. E sempre dá para limpar até mesmo a sujeita mais escondida, aquela que as vezes quase ninguém vê. Aquela que passa anos camuflada nas entranhas do nosso ser, mas que, cedo ou tarde, aparecem e causam constrangimento. Tudo sempre vai depender de como cuidamos dos nossos umbigos, de como limpamos as sujeiras nas dobras escondidas. E ter um limpo, só depende de seus donos. Por isso, o importante não é olharmos para nossos próprios umbigos, e sim, observar como os outros cuidam dos seus respectivos.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Sinto muito.




Como de costume, acordo todos os dias bem cedo. E quando digo cedo, é bem cedo mesmo. Estudar e trabalhar longe de onde moro tem suas vantagens, como passar cerca de 2 horas, ida e volta, dentro de um ônibus lendo um livro, ouvindo música ou simplesmente pensando na vida, observando as pessoas. Engraçado que quando vou de carro, o que seria algo bom pois ganho 1 hora a mais no meu dia, dirigir me impede de fazer uma leitura, acabo ouvindo menos músicas e faço menos reflexões sobre a vida. No modo automático, tenho que estar focada no trânsito, no cara que me fechou na curva, no ciclista a minha direita, na mulher que entrou na minha frente sem sinalizar sua mudança de faixa. É ganhar a vantagem do conforto e perder a vantagem de sentir o mundo e suas coisas. Não que sozinha, no carro, ouvindo William Ftizsimmons eu não consiga sentir, mas quando estamos só ali, sentados no banco desconfortável do ônibus, onde geralmente não conhecemos ninguém e estamos com a expressão facial mais neutra possível, ali nós somos apenas nós. É um estado emocional que dificilmente conseguimos atingir em outros lugares. As vezes sinto que um banco de ônibus me entende mais do que muita gente, simplesmente porque há coisas que não consigo expressar nem para mim mesma. Tipo o que venho sentindo há um tempo. Eu não sei explicar o que é. E isso me deixa muito frustrada. Não consigo definir se é algo ruim ou se é simplesmente uma invenção da minha mente inquieta. Mas eu sinto. Sinto que há algo que de vez em quanto retorna à minha mente só para dizer que está ali. Não importa se está tudo bem, se está tudo caminhando perfeitamente de acordo com o esperado, essa "coisa" aparece do nada e me deixa intrigada. As vezes me deixa até mau humorada, sem vontade de fazer nada. Nesses momentos eu fico bastante preocupada, pensando no que seja essa coisa sem sentido que mexe tanto com a minha mente. Na maioria das vezes eu tento ignorar, pois se não acho explicação, não deve ser nada demais. Não sei. mas eu sinto. Esse lance de sentir essa "coisa" me fez questionar até se eu realmente sinto isso. Parece confuso, né? Imagine para mim. Perguntei a mim mesma se eu sentia as coisas do mundo como todo mundo sente. Em um determinado momento acreditei friamente que não, que todas as outras pessoas sentem um mundo que eu não compreendo. Depois tive a conclusão, eu sinto sim, mas sinto é demasiadamente esse mundo que temos. Sinto muito tudo. Relações, família, amizades, conquistas e decepções, ansiedades. Sinto muito o viver que, para mim, começa no despertar das 5:30 do meu celular e só acaba quando encosto a cabeça em um bom travesseiro. Eu sinto muito tudo e eu não deveria ser assim, porque isso as vezes dói. Mas também me faz sorrir por tudo e principalmente pelas besteiras mais idiotas do mundo. É confuso e estranhamente resolvi falar sobre "essa coisa estranha que me acontece de vez enquanto" em um momento em que não estou sentido ela, talvez porque quando a sinto, é impossível sair uma palavra sequer para começar esse texto. De qualquer forma, desculpe pelo texto melancólico, geralmente escolho temas mais motivadores. Mas caso você não se importe com nada disso, sinto muito.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Por mais dias assim



O bom de ouvir música nesse tempo friozinho é que parece que os nossos sentidos ficam mais sensíveis, pelo menos é assim que acontece comigo. Dias de chuva são os dias que procuro aquela playlist mais calma, coloco os fones de ouvido no trabalho e deixo que as músicas me levem junto com elas. Gosto dessa leveza, gosto dessa sensação de que a vida é única e tudo depende exclusivamente de nós. Dias de chuva fazem isso comigo, me deixam mais introspectiva, pensando na vida, refletindo sobre o hoje, preocupada com o amanhã. Dias de chuva me fazem abrir o moleskine e procurar a lista de defeitos que escrevi no começo do ano com a intenção de mudá-las. Nesses dias de chuva me arrepio ouvindo Annie Williams, mas não consigo perceber se o arrepio é pela música ou pelo frio. Queria que houvesse mais dias assim, pois sinto que esse lance de ficar mais quieta e pensativa em épocas frescas é algo universal. Esse é o momento em que todos se reconhecem como seres iguais, como seres humanos que, apesar das desigualdades, todos se esquentam através do próprio sangue quente que percorrem nossas veias. Por mais dias assim. Por mais dias em que flexionamos os nossos pés em direção ao "nada", para podermos organizar o "tudo". Nos dias quentes, além do suor, muda também a playlist que amacia os ouvidos. Muitas vezes escolhemos algo mais alegre e envolvente. O calor faz isso com a gente, nos deixa ardentes. Quem nunca foi a praia e colocou um Bob Marley para embalar o visual de ondas? O lugar onde moro atualmente é ensolarado em sua maior parte do ano, tendo pouquíssimos dias de chuva... e nessa dia de chuva percebo que não me custa nada tentar, em um dia de muito sol, colocar uma música mais calma, abrir o moleskine em uma página em branco e listar todas razões que me fazem feliz e todos os defeitos que me atrasam como pessoa. Refletir sobre o agora é importante, mas se ontem tivéssemos pensado sobre o hoje, ninguém teria saído de casa sem um guarda-chuva.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Só tempo




Amizade é tentar dizer,
tentar mostrar,
tentar ensinar.
Mas não é você que vai colocar um band-aid na vida até ela sarar.

Amizade é tentar aconselhar,
tentar ajudar,
tentar acolher.
Mas não é você que vai consolar por inteiro o que há de arder.

Não você.
Por mais que tente,
por mais das melhores boas intenções e bons corações,
não é você que vai confortar o pesar alheio.

Só tempo.
Só tempo pra curar,
para acalmar,
para respirar,
para colocar ordem na bagunça do lugar.

Só tempo.  

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Pela arte de teimar.




A gente tenta. 
A gente tenta o que a gente pode. 
A gente tenta o que dá pra tentar. 
Tem coisa que foge do nosso tentar.
Muitas coisas fogem dos nossos "tentar".
Se dependesse da gente tudo seria mais simples. 
Dependesse da gente tudo seria sexta-feira de sol e mar. 
Mas a gente tenta. 
A gente vai morrer tentando até enjoar. 
E depois de enjoar vamos tentar outra coisa, 
só pela arte de tentar. 
Pela arte de teimar. 
Ô criatura teimosa é ser humano. 
Tenta, tenta até conseguir.
E quando consegue é alegria de orelha a orelha. 
É sorriso que transborda dentro de si. 
E quando não consegue? 
É melhor deixar pra lá.
Deixa lá na estante da vizinha, deixa lá pra ela cuidar. 
Então cuida de correr que a vida continua. 
Cuida que a vida não pode parar.