Intensivamente

Não se trata de tempo, o nome é intensidade. Aquele beijo roubado, onde a esquina ficou esquecida mas o beijo não. As vezes, a senhora dona Intensidade, costuma chegar sem nem comunicar. As vezes não, sempre! Ela é cordial e fiel a si mesma. Acho que não gosta de ser esquecida. Vem como tatuagem, pra marcar, pra ficar e só sai se você remover. E as vezes custa caro remover, uma fortuna... de dinheiro ou de paciência. Ou os dois juntos num pacote completo. Costumo pensar que sempre vem na medida certa, a gente é que costuma criar coisas em cima dela, porque enfim alguém que muitos acreditam e chamam de Deus, nos deu a imaginação... e essa sim é cruel. Essa pega tudo e transforma no que a gente quiser. Taí uma liberdade boa, poder imaginar coisas que queremos ou gostaríamos de fazer. E o pior, imaginar tudo, tim tim por tim tim, cada mínimo detalhe que no pensamento faz uma grande diferença. E como faz. Mas como de praste, nós pobres seres humanos, racionais por natureza, burrinhos por opção, nunca sabemos lidar com essa tanta liberdade. Por isso de existir tantos pensamentos oprimidos, reprimidos e recalcados. Não, isso não é papo de Freud, é realidade, ou vai dizer que nunca pensou o clássico ''não posso mais pensar nisso"? Pensamentos, desejos, loucos desejos e loucos para serem consumidos até onde você puder consumi-los. Até o ultimo suspiro. Até que o ultimo suspiro se torne o primeiro para novamente poder desejar aquilo tudo de novo. E de novo. E de novo. E sempre. Assim é dona Intensidade, que te faz transpirar sem nem mesmo entender o motivo. Que mexe com o teu organismo sem nem ao menos ser uma droga injetável. Que te deixa num estado de não sobriedade quando está totalmente entregue a ela. Porque se você é como eu, você entende o que falo. Se é intenso como eu, não chegue perto de mim... não iria dar certo, acredite. Na verdade iria dar certo até demais e é justamente esse o problema: intensidade demasiada faz mal ao estômago, se é que me entende.

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