segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Une paire

Faz um tempo que deixei de ser um, virei dois. E aconteceu assim, dormi um, acordei dois. Ou melhor, um par. Foi rápido, mas tive tempo de colocar as ideias no lugar, de entender o que estava acontecendo, porque afinal, não é tão simples virar dois e continuar tendo a mesma vida que antes. É interessante sentir o pensamento mudar, antes o que se pensava no singular, agora é pensado no plural. Dois. Um par. Nós. Eu e ele. Ele me pegou de surpresa, mas no momento em que eu mais estava precisando. Transformando tudo, desde pensamentos a sentimentos internos que pulsão inexplicavelmente. Antes, passei um tempo curtindo ser singular, mas confesso que ser plural é bem mais gostoso. Os sorrisos vem em dobro, os abraços vem mais braços, braços físicos e do coração.  Os sonhos são sempre com dois lugares, não importando o meio que iremos precisar. Desde o inicio nos deparamos com perguntas inexplicáveis, pois tudo aconteceu com muita simplicidade, mas com muita intensidade... ou seja, dois adjetivos que normalmente não andam muito juntos. Vejo que nós humanos ainda somos intelectualmente limitados, pois sempre nos deparamos com coisas e situações que não conseguimos explicar ou encontrar respostas. E a graça está justamente nisso, em não entender, em apenas sentir. Engana-se quem acredita que Freud a tudo explica, ele criou teorias sobre muitas coisas, mas nos finais de tarde ele sempre estava sentado em frente a sua casa, fumando seu charuto ao lado de sua amada, pois sabia que era importante refletir sobre o mundo, mas sabia que o mais importante era aproveitar esse mundo que não entendemos, simplesmente por ser prazeroso o gosto do inexplicável. Do mesmo modo que é prazeroso sentar ao lado de alguém e sentir algo que não se consegue explicar. Do mesmo modo que se consegue ser feliz sendo singular, mas que sendo plural você atinge outro tipo de felicidade. Do mesmo modo como ainda não intendi quase nada disso tudo que escrevi, mas que tenho certeza que se comecei a escrever é porque tenho sentido algo aqui dentro que ainda não consegui explicar. No mais... não tenho mais nada a dizer. Agora, só me resta sentir o prazer inexplicável de ser dois.

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